Género na Educação

  • Em Moçambique há uma grande disparidade de gênero na participação das raparigas no ensino comparado com os rapazes.
  • As desigualdades de género na educação são explicadas por diferentes factores:
  • Fatores de procura – que influenciam a educação da rapariga e que resultam da combinação de estruturas económicas e socioculturais onde se destaca a pobreza e as percepções sobre o papel da educação.
  • Factores da Oferta – São as barreiras inerentes ao próprio sistema de educação e estão relacionadas com a qualidade de serviços oferecidos, as escolas, os professores.

Factores de (Des-)Igualdade

  • Pobreza:
  • Fraca percepção dos benefícios da educação
  • Sobrecarga de trabalho
  • Uniões prematuras
  • Ritos de iniciação
  • Quantidade e qualidade das escolas influenciam o acesso e a retenção
  • Regulamentos relativos ao assédio e abuso sexual e gravidez precoce
  • Ambiente escolar e estereótipos
  • A qualidade de professores e a presença de professoras

Como alcançar a Igualdade e Equidade de Género na Educação?

  • Mudança do discurso centrado nas mulheres, passando a ser focalizado nas relações desiguais entre mulheres e homens;
  • Assegurar que as Unidades de Género (UG) tenham um mandato e autoridade claros e exerçam as suas responsabilidades. Introduzir programas para a redução do fosso de género, aplicação de normas e regulamentos que combatam a discriminação de género, o assédio e abuso sexual, e uniões prematuras;
  • Introduzir a perspectiva de género na análise de políticas, programas e mecanismos de monitoria e avaliação; medir o impacto de estratégias e programas de desenvolvimento em raparigas e mulheres e homens e rapazes;
  • Uso de metodologias de ensino participativas e inclusivas que criem um ambiente propício para o empoderamento de meninas e meninos, raparigas e rapazes e mulheres e homens.

Desafios do Sector da Educação para a Igualdade de Género

No desenvolvimento institucional

  • Limitada capacidade técnica aos níveis local, distrital, provincial e nacional nas áreas de planificação e gestão financeira, monitoria e avaliação na perspectiva de género;
  • Recursos financeiros, materiais e humanos escassos exigindo maior priorização das intervenções e racionalização dos recursos disponíveis, assegurando alocação para o género.
  • Eficácia do ensino-aprendizagem.
  • Insuficiente número de professoras e gestoras escolares funcionando como modelo;
  • Currículo e materiais de ensino-aprendizagem não são sensíveis ao género, e alguns reflectindo estereótipos de género;
  • Editoras e autores com perfil e perícia para incluir a perspectiva de género nos materiais instrucionais e livros.
  • Professores pouco qualificados, e muitos professores optam pelo ramo da educação como oportunidade de emprego e não uma tarefa de vocação, disponibilidade e humanismo para ensinar os outros.
  • A entrada tardia de crianças e jovens sendo a maior parte deles do sexo feminino.
  • A existência de muitas crianças e jovens em situação de vulnerabilidade por diversos motivos e sem apoio é uma grande preocupação.
  • As taxas de repetência e desistência permanecem altas principalmente no seio das raparigas e mulheres.
  • Casos de abuso e assédio sexual dentro e fora das instituições de ensino e de formação.