Módulo 3 | Métodos de Ensino-Aprendizagem da Oralidade

Aula 3 | Leitura de Imagens no Contexto do Ensino da Oralidade em L1

Leitura de imagens no contexto do ensino da oralidade em L1

A imagem que se apresenta ilustra vários elementos que ajudarão o professor a orientar aulas de desenvolvimento da oralidade em L1 e o aluno a adquirir de vocábulos e comandos que lhe permitirão desenvolver as habilidades da comunicação oral em L1.


Actividade 2
Técnica didáctica Interacção em grupos de línguas.
Conteúdo Exploração da imagem como ferramenta didáctica.
Habilidades a desenvolver no(a) formando(a):
  • Explora a utilidade didáctica da imagem para o ensino e desenvolvimento da oralidade em uma língua primeira;
  • Aprimora a habilidade oral para o contexto de sala de aula;
  • Cultiva o senso de partilha, de respeito pela diversidade e pela diferença.

Todos os membros do grupo tiveram oportunidade de discutir sobre a imagem? O que acharam? Certamente descobriram que uma única imagem pode despertar um diálogo aceso dentro do grupo.


Como organizar uma aula de leitura de imagens?

As imagens são elementos valiosos para o desenvolvimento das habilidades de ouvir e falar, de compreender e interpretar. Elas podem ser usadas nas aulas de oralidade, quer na língua primeira assim como na língua segunda. Para orientar uma aula de leitura de imagens, o professor pode usar um cartaz, um póster, uma imagem de um livro infantil, do próprio livro do aluno ou levar para a sala um objecto de conhecimento comum. Na selecção das imagens, deve ter em conta a realidade local em que os alunos estão inseridos.

A exploração de imagens para o desenvolvimento da oralidade compreende os procedimentos abaixo, adaptados de Waddington & Veloso (1999). Não obstante os procedimentos que se seguem, o(a) professor(a) deve formular perguntas abertas que incentivem respostas desenvolvidas. Desta forma, estaria a impulsionar o desenvolvimento da oralidade dos alunos, para além de respostas fechadas.

a) Nomear/enumerar

Os alunos, com o apoio do professor, descobrem o que há na imagem. Dizem o nome do que vêem na imagem (nome, cores, quantidades, tamanho, distância, etc.)

O professor coloca o cartaz numa posição em que todos os alunos a possam ver. Se a imagem não for bem visível para todos, o professor deve circular pela sala para mostrar bem a imagem aos alunos, assegurando que todos eles a visualizam bem.

Nesta fase, o professor pode fazer perguntas, tais como:

Xichangana:

Mivona yini ka xithombe?

“O que estão a ver na imagem?”

Hingavachula mavitu muni vafana mivawonaka ka xithombe?

“Que nomes podemos dar aos meninos que aparecem na imagem?”

Timpahla ta muhlowo muni vamamani vangagqoka tona?

“Qual é a cor da roupa que as senhoras trazem?”

Lana hinga kona, hi kwini kunga ni muhlowo wofana ni timpahla ta vona?

“E aqui onde estamos, onde é que há coisas que têm cor das roupas que elas trazem?”

Ku ni vanhu votala kumbe va vatsongo ka xithombe?

“A imagem mostra muitas ou poucas pessoas?”

Lomu xilaweni xa jondzo, ku ni vanhu votala kumbe va vatsongo?

“E aqui na sala há muitas ou poucas crianças?”


b) Função

Nesta fase, os alunos, com o apoio do professor, descobrem para que servem as coisas/ elementos da imagem (utilidade das coisas ou elementos da imagem). Portanto, nesta etapa, além dos nomes das coisas, aprofunda-se a sua utilidade, o seu valor, a sua função, de acordo com as experiências de cada um. Cada criança enriquece os conhecimentos dos colegas através da sua participação e todos têm a oportunidade de falar daquilo que conhecem. Esta abordagem permite trazer a vida e o dia-a-dia da criança para a escola.

Nesta fase, o professor pode fazer perguntas, tais como:

Emakhuwa:

Exitaraata enikhaliherya nixeeni munonasaanyu?

“Para que serve a estrada que vêem na imagem?”

Mmawaani mu yookhala exitaraata?

“Na nossa comunidade, existe uma estrada?”

Niire exeeni wi nilapuwe saana exitaraata?

“Que cuidados devemos ter ao atravessar a estrada?”


c) Relacionar

É a fase em que se fala sobre a posição dos diversos elementos na imagem. Os alunos, com o apoio do professor, relacionam os elementos da imagem entre si (a posição que ocupam no espaço, o seu tamanho, o tempo…). Por exemplo: a casa está perto ou longe de…, se está em cima ou por baixo de…, se está à frente ou atrás de…, se está à direita ou à esquerda de…, etc.

O professor aproveita a ocasião para mostrar aos alunos que, nas imagens, as figuras podem aparecer pequeninas para se mostrar que elas estão longe, não querendo significar que, de facto, os objectos ou seres que elas representam sejam pequeninas.

Nesta fase, o professor pode fazer perguntas, tais como:

Cicopi:

Ka cithombe, cifanyana cimaneka cinene mwendo cibhabha ka cihoranana?

“Na imagem, o menino está à esquerda ou à direita da menina?”

Cihoranana ci masoni mwendo nsana ka cikarinyana?

“A menina está à frente ou atrás da carrinha de rodas?”

Meza wa mugondisi wumaneka masoni mwendo nsana kwanu?

“A mesa da professora está à frente ou atrás de vocês?”

Ngu dihi ditina da cifanyana ci ku masoni ka layeni yokhata?

“Como se chama o menino que está sentado à frente da primeira fila?”


d) Interpretar

Os alunos, com o apoio do professor, interpretam os elementos da imagem (com a ajuda do professor, fazem a descrição e interpretação de cada elemento da imagem em relação ao todo, ou seja, do conjunto de todos os elementos à descrição psicológica dos personagens…). É a fase em que se relacionam as personagens com os outros elementos da imagem em observação e onde começam a aparecer as diferentes interpretações possíveis.]

Nesta fase, o professor pode fazer perguntas, tais como: O que estão a fazer as pessoas representadas na imagem?

Cibalke:

Tinapinda nakupi xitaradha?

“Por onde é que devemos atravessar a estrada?”

Mulikuwana tani mutshikana nayi alikubhatshira mwandzace?

“O que acham da atitude da menina que está a apoiar o outro?”

Thangweranyi?

“Porquê?”

Nayi mwepu, munayi tanyi para mubhatshira wanango?

“E vocês, o que fazem para apoiar os outros?”

É importante que o professor saiba lidar com diferentes interpretações e que não obrigue todos os alunos a terem a mesma interpretação.


e) Contar

Os alunos, com o apoio do professor, imaginam e contam um episódio ou uma história relacionada com a imagem em análise (o professor vai sugerindo, motivando e orientando a narração, de modo a dar lógica à estrutura da história). O professor tem que ajudar os alunos a ter em atenção aos encadeamentos (saber ligar partes de frases e frases entre si) e à lógica da história (tem que fazer sentido).

Durante a fase de contar, o professor vai sugerindo, motivando e despertando a criatividade e imaginação dos alunos. Pode orientar perguntas que facilitem a elaboração da história, tais como:

Shimakonde:

Nyani alota kubuniya lutanu lulowananga na dipisha?

“Quem pode imaginar uma história relacionada com as imagens?”

Twanjangi dasi?

“Como é que vamos começar?”

Dinamu ari ritangola nyamani?

“De que fala a história?”

Upundishinya mani na dinamu ari?

“O que aprenderam com esta história?”


f) Recontar/Recriar

Nesta fase, que noutras literaturas também se denomina ”adicionar”, os alunos, em grupo ou individualmente, recontam toda a história com base na imagem (podem mudar nomes, podem recriar as situações…). Recontar uma história pelas suas próprias palavras é uma actividade muito importante porque desenvolve não só o vocabulário como o raciocínio e a capacidade de expressão. Recontar não é repetir. O aluno que reconta pode e deve usar as suas próprias palavras, contar uma história que já não é a mesma que a inicial. Pode introduzir novos pormenores (adicionar), mudar a sequência da acção, etc.

Nas classes iniciais e aproveitando-se da sua criatividade, sabendo que as habilidades de língua são interligadas, o professor pode escrever/registar, no quadro ou em outro material de suporte, a(s) história(s) recontada(s) por seus alunos. Depois pode ler o texto escrito, apontando palavra por palavra. Isso é importante, pois permite a ligação da comunicação escrita à comunicação oral, ajudando os alunos a compreenderem que a escrita é uma forma de comunicar através de símbolos.


g) Ilustrar

As aulas de leitura de imagens terminam, regra geral, com uma ilustração sobre o tema em estudo. Mesmo que só se façam os dois primeiros passos, o professor termina a aula pedindo aos alunos para desenharem sobre o que viram.

De tudo o que viram e ouviram, os alunos escolhem o que querem desenhar. Este desenho pode ser feito na areia do pátio da escola ou nos cadernos diários. Nos casos em que o desenho é feito na areia, este pode ser enfeitado com pedrinhas, folhas, areia de outra cor, etc.

No Apêndice, encontra-se um plano exemplificativo sobre leitura de imagem em Echuwabo, do qual se pode inspirar para realizar a actividade a seguir.


Actividade 3
Técnica didáctica Interacção em grupos de línguas.
Conteúdo Planificação de aulas de oralidade em línguas moçambicanas.
Habilidades a desenvolver no(a) formando(a):
  • Planifica aulas de oralidade em línguas moçambicanas;
  • Simula aulas de oralidade em línguas moçambicanas;
  • Analisa didáctica e criteriosamente, uma aula planificada e simulada de oralidade em uma língua moçambicana.

Assista à Videoaula

Nota: O conteúdo deste vídeo contém o mesmo conteúdo do texto do Manual