Módulo 2 | Textos Literários

Aula 2.2Texto Dramático

Vamos ler novamente o texto O coelho e o macaco e a seguir realizar as actividades de vocabulário e de compreensão:

Vocabulário

O coelho e o macaco

1. Ponha por ordem estas actividades relacionadas com a machamba: colheita, lavra, sacha, rega, fertilização, poda.

2. Identifique expressões ou palavras equivalentes ao seguinte:

  1. não tiraria qualquer proveito do seu trabalho. _____________________
  2. largar o trabalho _________________________________
  3. ofegante _______________________________________
  4. pôs-se aos gritos _____________________________________

3. O macaco era comilão porque comia muito.

  1. e se brincasse seria um ____ .
  2. e se ___ seria um desordeiro
  3. e se chorasse muito seria um ________________________.
  4. e se gostasse de mandar seria um .
  5. e se ___ seria um gingão
  6. e se __ seria um mandrião
  7. e se __ seria um brigão

4. Preencha a tabela com palavras da mesma família da que lhe foi oferecida:

Nome

Adjectivo

Verbo

Advérbio

fingimento

suplicante

esforçar-se

enfurecer

agressão

saborosamente

Ortografia e Pronúncia

Pronúncia de o

Numa outra secção deste capítulo dissemos que o o pode ser pronunciado de três maneiras distintas. Se não for acentuado, no final de palavra pronuncia-se como u.

Cabe agora dar mais informação a respeito dos outros valores deste som:

  1. em qualquer posição da palavra, se for acentuado, pronuncia-se de forma muito aberta: António, avó, óptimo, monótono,
  2. O também pode ter um valor intermédio: nem tão aberto nem fechado como em furioso ou em sofreguidão.

Oiça o seu formador a pronunciar as duas palavras para captar o nível de abertura. Agora passemos à frase o macaco ficou furioso para o plural.

Furioso (singular) e furiosos não se pronunciam da mesma maneira. A primeira é intermédia e a segunda é aberta, o mesmo acontece com o feminino furiosa.

O (intermédio)

O (aberto)

Masculino singular

Feminino

Masculino plural

furioso

furiosa

furiosos

curioso

curiosa

curiosos

povo

-

povos

ovo

-

ovos

olho

-

olhos

mentiroso

mentirosa

mentirosos

saboroso

saborosa

saborosos

delicioso

deliciosa

deliciosos

custoso

custosa

custosos

trabalhoso

trabalhosa

trabalhosos

O seu formador vai ajudá-lo a treinar a pronúncia correcta de palavras como as que acabou de ver. Vai apresentar-lhe uma série delas, que mudam a abertura da vogal o, consoante a palavra seja a forma masculina singular ou plural, ou ainda feminino.

Quando a palavra está no feminino, não importa se singular ou se plural, o o é sempre aberto: estilosa, estudiosa, nebulosa, ditosa, chuvosa.

Funcionamento da língua

Ficha Informativa

Frase simples: tipos e formas

As frases podem ser classificadas de acordo com a intenção da pessoa que fala e são consideradas declarativas, interrogativas, exclamativas, imperativas.

Frase declarativa: expressa uma declaração afirmativa ou negativa. Nas frases declarativas usa-se o ponto final.

Frase interrogativa: quando com a frase se pretende obter uma resposta da pessoa com quem se fala e pode ser interrogativa directa ou indirecta.

Directa é uma pergunta simples, assinalada na escrita com o ponto de interrogação; na fala apresenta-se sob uma entoação específica.

Indirecta é uma pergunta feita através de uma frase subordinada integrante, introduzida por verbos como perguntar, interrogar, questionar, inquirir, indagar e termina com um ponto final na escrita.

Frase exclamativa: usada quando se pretende exprimir sentimentos ou opiniões e apresenta-se com um ponto de exclamação na escrita; na oralidade é marcada pela intensidade com que se destaca o elemento que se quer realçar.

Frase imperativa: usada para exprimir ordem, pedido, conselho. Normalmente usa- se o verbo no modo imperativo.

Para além do tipo, a frase apresenta-se numa combinação de formas:

Activa ou passiva

Activa – tem o verbo na voz activa

Passiva – tem o verbo na voz passiva, geralmente dada pela combinação do verbo ser ou estar seguidos pelo particípio passado do verbo principal

Afirmativa ou negativa

Afirmativa – quando expressa uma afirmação.

Negativa– quando se nega a afirmação através de advérbios como não, nunca, jamais, nem, nada.

Enfática ou neutra

Enfática – se destaca algum elemento e para isso usa-se é que, lá, cá.

Neutra – toda a frase que não for enfática.

Com base nesta classificação, uma frase pertence sempre a um tipo e tem três formas. Vejamos:

Frase de tipo interrogativo, nas formas activa, negativa, neutra.

Frase de tipo exclamativo, nas formas afirmativa, activa, enfática.

Exercício

Partindo de frases retiradas dos dois textos estudados até aqui neste capítulo, classifique seis das frases que se seguem quanto ao tipo e forma. Se precisar, pode voltar ao texto para melhor contextualizar as frases.

1. O coelho e o macaco

  1. – Amigo, vamos abrir uma machamba de amendoim.
  2. – Ó amigo macaco, hoje tenho para o jantar amendoim com carne.
  3. – Aparece.
  4. – O que foi, amigo macaco?
  5. – Tira-me daqui.
  6. – Paciência, amigo macaco, não há nada a fazer, eu tenho pressa, o jantar está à espera. A cauda está muito enterrada, só cortando-a, senão ficas aí toda a noite e nunca se sabe quando é que passa por aqui o leopardo…
  7. – Prefiro viver sem a cauda do que ser comido…

    2. A Menina que não falava

  1. – Esta nossa filha não fala.
  2. – Caso consigas fazê-la falar, podes casar com ela - responderam os pais da rapariga.
  3. – Se já várias pessoas apresentáveis e com muito dinheiro não conseguiram fazê-la falar, tu é que vais conseguir?

Interjeição - uma palavra invariável sem nenhuma função sintáctica na frase servindo apenas para expressar as emoções com que são produzidas algumas frases e depende do contexto e da entoação imprimida ao que se diz. Isto é, a mesma interjeição pode exprimir diferentes emoções. Por exemplo, ah! pode exprimir surpresa, dor, desagrado, alegria, espanto.

As interjeições são classificadas tendo em conta o seu sentido e normalmente aparecem seguidas de ponto de exclamação.

Valor semântico

Interjeições

Locuções

interjectivas

Alegria

Ah! Oh!

Encorajamento ou animação

Avante! Vamos! Força! Coragem! Ânimo!

Aplauso

Bis! Bravo! Viva! Apoiado! Isso!

Isso mesmo!

Muito bem!

Desejo

Oh! Oxalá!

Quem me dera! Deus queira!

Repulsa

Safa! Uf!

Indignação

Irra! Chi!

Dor

Ai! Ui!

Ai de mim! Valha-me Deus!

Ai Jesus!

Espanto ou surpresa

Ah! Ih Oh! Bolas! Chi! Chiça! Caramba! Credo! Puxa!

Impaciência ou irritação

Irra! Hem! Hum! Mau! Oh!

Ora bolas!

Raios (o) partam!

Chamamento

Eh! Ei! Ó! Olá! Psiu! Pst!

Silêncio

Chiu! Caluda! Psiu! Silêncio!

Suspensão

Alto! Basta! Chega!

Alto ai! Alto lá!

Terror

Uh! Ui!

Queda

Zás! Catrapus! Zumba! Trás! Tumba!

Alegria

Oh! Ah!

Descontentamento

Oh! Meu Deus!

Ó diabo!

Valha-me Deus!

Exercício

Voltemos ao texto O coelho e o macaco. Substitua as falas do macaco por interjeições que exprimam o sentimento deste em cada situação:

Coelho: –Amigo, vamos abrir uma machamba de amendoim. Macaco: .

Coelho: – Ó amigo macaco, hoje tenho para o jantar amendoim com carne. Aparece. Macaco: .

Coelho: – O que foi, amigo macaco?

Macaco: . – Tira-me daqui - pediu o macaco.

Coelho: – Paciência, amigo macaco, não há nada a fazer, eu tenho pressa, o jantar está à espera. A cauda está muito enterrada, só cortando-a, senão ficas aí toda a noite e nunca se sabe quando é que passa por aqui o leopardo…

Macaco: Prefiro viver sem a cauda do que ser comido…

Género textual

A seguir, vai ler uma ficha sobre o texto dramático para ter alguma informação a este respeito e facilitar o seu trabalho de dramatização do conto O coelho e o macaco.

Ficha Informativa

Texto Dramático

O texto dramático procura representar as acções e reacções de seres humanos, de animais ou de seres imaginários, através de personagens. Concebido para ser representado em palco, dispensa o narrador: tudo quanto ele poderia narrar é encenado, representado, dito. A comunicação entre as personagens ou entre estas e os receptores da mensagem é directa, daí que predomine o discurso na segunda pessoa (tu/você).

Nesta comunicação recorre-se a palavras, entoação, voz, expressão corporal, caracterização dos actores, cenário, efeitos de som e de luz.

O texto dramático tem sempre uma intenção:

O texto dramático tem duas subdivisões: o principal e o secundário.

O texto principal é dado pelas falas das personagens, é o que elas dizem.

O texto secundário é o que dá a informação que orienta o leitor, o encenador da peça ou os actores. No texto secundário aparece:

A acção é dada pela actuação das personagens; o que elas fazem é que nos informa sobre a história em si. As personagens são classificadas tendo em conta:

espaço–corresponde ao lugar, ambiente, meio social ou cultural onde se desenrola a acção;

tempo: é uma dimensão que tem de ser vista sob três ângulos:

tempo da representação - momento em que se desenrola a acção, corresponde à duração das acções no palco;

tempo da acção ou da história – corresponde ao momento que se pretende representar, o momento em que realmente se passam as cenas e pode ser fictício;

tempo da escrita ou da produção da obra – momento em que o autor concebe a peça.

Assim, uma peça dramática pode ter sido escrita durante 6 meses em 1970 e ser representada em 2017 em 90 minutos tendo em conta acções que decorreram em 1875 ou num tempo fictício: quando os animais falavam.

O espaço também apresenta diferentes dimensões:

espaço cénico, o palco caracterizado para uma peça determinada, lugar onde se movem as personagens e que, graças à encenação, recria o ambiente em que decorrem as acções representadas;

espaço representado (social ou cultural) ambiente original, que se tenta reproduzir, representar no palco.

Deste modo, o que se quer representar pode passar-se no meio rural e é representado num palco que deverá ser decorado, de modo a imitar esse meio rural.

O discurso dramático ou teatral é composto por uma mistura de linguagens:

Verbal – que pode tomar a forma de monólogo (uma personagem, falando consigo mesma, expõe os seus pensamentos e/ou sentimentos em voz alta), diálogo (falas entre duas ou mais personagens, recorrendo à segunda pessoa (tu/você), apartes (comentários de uma personagem que se supõe que não são ouvidos pelos seus interlocutores em palco).

Não verbal - gestos, expressões faciais das personagens, cenário, entoação da voz, efeitos de luz para ambientação, arranjos sonoros que incluem música, ruídos diversos.

Cada personagem tem características próprias e estas são dadas de duas maneiras.

Directa: com base na descrição apresentada no texto secundário.

Indirecta: com base na forma como agem, pelo comportamento, atitudes, sentimentos e gestos, o que leva o espectador a tirar as suas próprias conclusões sobre as características de uma personagem.

Resumo

Aprendemos que o texto dramático tem sempre uma intenção. Procura representar acções e reacções de seres reais ou imaginários. Vale-se de uma série de elementos como linguagem, tempo, local, espaço, personagens, entre outros.

Assista à Videoaula

Exercícios

Tendo em conta o conhecimento adquirido ao estudar esta unidade, num grupo de 5 elementos vai dramatizar o texto O coelho e o macaco. Lembre-se que devem usar a informação sobre o texto dramático para tornar a representação mais interessante como as indicações cénicas, o turno de fala, o movimento e gestos das personagens…

Na dramatização, procurem usar frases de diferentes tipos e formas bem assim interjeições para tornar a peça teatral mais expressiva. Esbocem a vossa dramatização do texto, ensaiem bem a representação: vão participar num concurso em que se vai premiar o seguinte:

Para se inspirarem e estimular a vossa imaginação realizem as seguintes actividades antes de começarem a dramatização:

A. 1. Leia o texto:

O velho, o rapaz e o burro

Era uma vez um velho simpático que vivia no cimo de um monte. Certo dia decidiu descer à vila em aventura, levou consigo um burro que pastava à deriva no mato e um rapaz seu vizinho.

Seguiam a pé, o rapaz à frente, seguido do burro, e atrás o velho. Ao passarem por uma povoação, logo foram criticados pelos que observavam a sua passagem.

O velho disse ao rapaz que montasse no burro e este assim fez, com os olhos esbugalhados e ar triunfante, pois nem nos seus melhores sonhos imaginou que lhe fosse possível participar em tal aventura. Um pouco mais adiante, passaram junto de outras pessoas que logo disseram:

Ordenou então o velho a contragosto ao catraio:

O rapaz, que era tudo o que queria, obedeceu de imediato e continuaram a viagem, mas um pouco mais adiante um grupo de pessoas enfrentou-os com indignação:

Descendo do burro, com ar aliviado, disse o velho ao rapaz:

Então o burro, já derreado, zurrou de alívio, pois a carga era pesada.

Diz-se que nunca mais voltou a ser o mesmo.

https://www.jn.pt/opiniao/convidados/interior/o-velho-o-rapaz-e-o-burro-4895251.html

2. Veja os vídeos que se seguem, baseados neste texto:





http://bmgrandola.blogspot.com/2014/11/o-velho-o-rapaz-e-o-burro_12.html



B. 1. Leia o texto:

A Cigarra e a Formiga

Num dia de sol de Verão, a Cigarra cantava feliz. Enquanto isso, uma Formiga passou por perto. Vinha afadigada, carregando penosamente um grão de milho que arrastava para o formigueiro.

A Formiga não respondeu, continuou o seu trabalho e foi-se embora. Quando o Inverno chegou, a Cigarra não tinha nada para comer. No entanto, viu que as formigas tinham muita comida porque a tinham guardado no Verão. Distribuíam-na diariamente entre si e não tinham fome como ela. A Cigarra compreendeu que tinha feito mal...

Retirado de: https://fabulasinfantis.blogs.sapo.pt/902.html

2. Agora leia o que se segue. Trata-se de uma versão do mesmo texto concebida para dramatizar a fábula que acabou de ler.

A Formiga e a Cigarra

(Texto tratado para teatro)

Cena 1: A Formiga entra com uma folha.

Cena 2: A Cigarra entra cantando.

Cena 3: Formiga entra carregando um grão de milho

Cigarra: Olá, Formiga, onde vais com tanta pressa?

Formiga: Vou levar esta comida, pois o inverno está a chegar. Tenho que me prevenir. E tu, já te preveniste?

Cigarra: Eu, eu não. Não estou para isso... (continua a cantar)

Cena 4: Chega o inverno. Faz vento, frio, chove.

(ouve-se um barulho de trovão)

A Cigarra entra triste.

Cena 5: A Cigarra pede ajuda à Formiga:

(Cigarra bate na porta da casa da Formiga)

Formiga: (reclama): Ai, meu Deus! quem será que está aí fora nesse frio?

Cigarra: Sim, posso entrar, por favor? Olha eu trouxe até uma colherzinha… posso?

Formiga: O que tu estavas a fazer enquanto eu trabalhava, hein?

A Cigarra responde descaradamente: Eu cantava, dormia, descansava, divertia-me. Não é?

Formiga: Pois então continua, pois aqui tu não entras, fica aí fora pensando em tudo o que não fizeste. Tchau, passa bem!!!

(a Cigarra ouve tudo, faz beicinho, mas a Formiga não se comove)

Adaptado de Sílvia Montanha

Retirado de http://crescendoeaprendendo.blogspot.com/2007/01/teatro.htmlas [25-02-2019]

3. Veja agora alguns vídeos feitos com base na fábula A Cigarra e a formiga.









Terminada a actividade, pode ver que um texto narrativo pode ser adaptado para ser teatralizado. Além disso, um mesmo texto pode ser interpretado e representado de modos diferentes. Então, anime-se e junte-se aos seus colegas para começarem a dramatizar o conto O coelho e o macaco. Não se esqueça que vão participar num concurso! Lembre-se também que, no geral, as crianças adoram representar e aprendem muito com este tipo de actividades. Uma boa forma de comemorar o dia da Criança pode ser dramatizar contos, fábulas, lendas… outras histórias concebidas para a criançada.

Tire o maior partido do momento para aprender muito sobre esta técnica.