Módulo 4 | Textos Jornalísticos

Aula 4.3Entrevista

A Entrevista é muito utilizada como via de recolha de informações nas fontes por jornalistas, académicos, investigadores, etc. Por isso, se torna necessário desenvolver conhecimentos e competências sobre a entrevista, pois é muito importante na sua vida académica, profissional e social.

Oralidade

As tecnologias de informação são uma realidade incontornável no mundo moderno. O telefone celular é um instrumento de comunicação que pode contribuir para o desempenho dos alunos e dos professores nas escolas.

Com a preocupação de identificar os comportamentos negativos e positivos no uso do telefone celular nas instituições, com destaque para as escolas, organize e participe numa conversa na sua turma, com o tema: O impacto do uso do telefone celular nas escolas.

  1. Qual é o impacto do uso do telefone pelos alunos e professores nas escolas?
  2. Que princípios/regras se devem observar no uso do telemóvel nas escolas?

Nota: No fim da conversa, os princípios acordados/definidos devem ser afixados na sala de aulas.

Texto

TIC são parte da vida dos Moçambicanos

Quer queiramos quer não, todos usamos directa ou indirectamente as diversas ferramentas trazidas pelas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), desde os centros urbanos ao meio rural.

A posição é defendida por Polly Gaster, responsável pela área das TIC para o desenvolvimento no Centro de Informática da Universidade Eduardo Mondlane (CIUEM). De entre os vários exemplos de vantagens das TIC, na nossa entrevista fala da diminuição da distância em viagens às sedes distritais como instituições bancárias para levantar salários, nos casos de professores, enfermeiros, polícias, técnicos de administração e não só. A realização de transacções bancárias como transferências de dinheiro ou consulta de saldos sem sair de casa, o pagamento de serviços usando telefone são outras vantagens do uso das TIC pelo cidadão comum.

A par destas conquistas, há outros sinais inquestionáveis que, segundo Polly Gaster, mostram mudanças na maneira de ser e de estar nas comunidades moçambicanas, sobretudo naquelas em que, no passado não muito distante, era impensável falar do uso do telefone, para não falar do correio electrónico (e-mail), troca de imagens e textos por via de plataformas como WhatsApp, entre outras utilidades. Entretanto, a entrevistada reconhece que os ganhos são ainda uma gota no oceano, mas o seu efeito multiplicador já produz impacto directo na vida dos cidadãos.

Nos excertos da conversa que se segue, Polly Gaster fala da necessidade de massificação do acesso às TIC, ao mesmo tempo que se deve olhar para a finalidade do uso das diversas plataformas disponíveis, pois não basta apenas o acesso.

Notícias (Not.) Como impulsionadora do uso das Tecnologias de Informação (TIC) para o desenvolvimento, sente que a inovação esteja a surtir efeitos nos moçambicanos?

Polly Gaster (PG) Na minha opinião, não há dúvida sobre o grande impacto da introdução e uso das TIC em Moçambique. Embora seja ainda uma gota no oceano, é uma gota significativa em termos práticos, dado o seu efeito multiplicador. Quando falamos de tecnologias de informação (TIC), não nos referimos simplesmente ao computador ou internet, mas estas, no verdadeiro sentido do termo, envolvem todas as tecnologias, desde o telefone de linha fixa, rádio, informática, operadoras de telemóveis ou empresas de internet e os utentes.

Quer queiramos quer não, automaticamente todos embarcamos neste barco.

Not. – Existem estatísticas em torno do uso destas tecnologias?

PG – Não tenho dados estatísticos, mas sei que existem alguns estudos. Há cada vez mais famílias e pessoas a usarem telemóveis nos últimos 15 anos; podemos arriscar e dizer que mais de 50 por cento dos cerca de 21 milhões de habitantes que o país tem já usam telefones, alguns mais sofisticados que outros e que permitem o uso de internet, acesso à previsão do estado do tempo, gravação de entrevistas, acesso a bancos, ao serviço M-pesa para movimentar dinheiro, só para citar alguns exemplos.

Not. Estamos num país vasto, com parcos recursos, mesmo para necessidades básicas como energia eléctrica. Este factor não compromete o sucesso do vosso objectivo?

PG Há muito ainda por fazer, mas a verdade é que quando hoje chegamos às províncias, a realidade é outra, e não tem nada a ver com o que acontecia há 10,

15 anos. As mudanças ocorrem em vários sectores. Por exemplo, antes assistia-se a um êxodo de professores de um distrito para a sede em busca de salários no banco. Muitas vezes, eles viajavam sem certeza e tinham de esperar o dia inteiro ou viajar duas vezes gastando dinheiro em transporte deixando alunos sem aulas. Mas hoje, com o recurso a um celular, eles podem ter informações sobre as contas bancárias e viajarem já com certeza de que irão levantar o seu dinheiro. Há sinais evidentes do uso do telefone, mesmo no ensino à distância, só para dar pequenos exemplos sobre o impacto das TIC na vida do cidadão.

Not. – Em 1999 desenvolveram em vários pontos do país o projecto de montagem de telecentros. Que resultados tiveram?

PG – Na verdade, os telecentros já não existem. Eles evoluíram para centros multimédia comunitários, numa iniciativa em parceria com a UNESCO no contexto da expansão da rede. Porque o Governo gostou dos resultados, o programa passou para o Ministério da Ciência e Tecnologia. A ideia inicial era simplesmente ter um centro de acesso à informação com recurso a computadores e impressoras e o utente pagava para aceder à internet. Era um local onde podia “scannar” documentos, ter aulas de informática. Havia também cabines de telefone porque telemóveis não existiam. Qualquer pessoa podia consultar dicionários e outros documentos existentes na língua portuguesa, mas, mais tarde, houve também documentos em algumas línguas nacionais e acredito que, de algum modo, ajudaram os que apostaram nestes centros que tinham também bibliotecas digitais. Agora já tem DVD, Youtube. O centro multimédia tem uma visão mais abrangente, que defende a fusão da rádio comunitária e informática. No início, as rádios comunitárias até eram mais digitalizadas que os estúdios da rádio Moçambique, embora agora tenham entrado para a digitalização. A ideia de fazer a edição digital, usar o telefone para gravar já é prática nas rádios comunitárias. Um dos últimos projectos era experimentar o uso de vídeos nos distritos para melhorar a comunicação entre cidadãos e o governo local, partindo do princípio de que ver alguém a falar tem mais força.

Not. – Actualmente, quais são os vossos desafios no campo das TIC viradas para o desenvolvimento?

PG – São os mesmos de sempre, embora com outra dinâmica, pois há muita coisa que melhorou com acesso a fontes de energia. Fizemos, primeiro, uma experiência, investindo em painéis solares, mas com as condições climatéricas nem sempre este modelo foi o melhor. Agora apostamos no sistema híbrido, tal como acontece com as TDM, que usam o painel solar e um pequeno gerador a diesel. A entrada da telefonia móvel nos distritos também levou muito tempo por conta do acesso à rede mas, como disse antes, há muita gente a usufruir desta tecnologia.

Not. – Sente que se faz um uso pleno das TIC?

PG – Sobre as TIC, penso que as abordagens estão a mudar. Quando iniciámos o projecto, a ideia era dar acesso ao cidadão, o que era terrivelmente difícil porque era preciso pagar à TDM uma chamada interurbana que podia ser de 10 minutos e sem poder ter acesso à internet porque era tudo muito lento e porque as chamadas caíam constantemente, mas hoje está tudo facilitado. O acesso continua a ser um desafio e foi sempre visto sob o ponto de vista físico: existência de dispositivos e o custo como elementos principais. Pode existir isso tudo, mas, quando as pessoas não têm dinheiro para pagar pode ser um elefante branco. O terceiro aspecto tem a ver com as habilidades de usar estes equipamentos e/ou dispositivos. Será que usamos da forma mais correcta?

In Jornal Notícias, 24 de Abril de 2017

Saiba Mais

Compreensão do texto

1. Lido o texto, identifique:

  1. O assunto da entrevista.
  2. O entrevistador e a entrevistada.
  3. O que significa TIC.

2. De acordo com a entrevistada, quais são as vantagens concretas e observáveis do uso das TIC em Moçambique?

3. Nos distritos, de que forma as TIC ajudam os professores em Moçambique?

4. “na minha opinião, não há dúvida sobre o grande impacto da introdução e uso das TIC em Moçambique. Embora seja ainda uma gota no oceano, é uma gota significativa em termos práticos”.

  1. Comente a afirmação.
  2. Explique o sentido da expressão sublinhada.

5. Tem feito uso de TIC durante a sua formação? Que componentes usa? Justifique apresentando as componentes que usa e as respectivas finalidades pedagógicas.

Género textual

Ficha Informativa

Entrevista

A entrevista é um texto jornalístico criado a dois, entrevistador e entrevistado, tem como função comunicar a um terceiro, o público, quem é, como é, o que pensa ou o que faz, a pessoa entrevistada.

Características

Estrutura

Tipos de Entrevista

Existem dois grandes tipos de entrevistas: i) retrato de personagem ou individual e ii) informativa ou de notícia.

Entrevista retrato

Caracteriza-se pela descrição de ambientes e pessoas.

Entrevista informativa

É a mais frequente no meio jornalístico e caracteriza-se por ser uma fonte de informação e procura opiniões da pessoa entrevistada, seguindo a técnica de reportagem. Em termos de apresentação da pessoa, o que interessa são os méritos profissionais que avalizam as suas opiniões - o objectivo da entrevista.

Processo de realização da entrevista

Preparação

Antes de iniciar a entrevista é necessário definir o tema, seleccionar o entrevistado, construir o guião de entrevista (adequar as perguntas ao entrevistado - nível etário, nível sócio-cultural, etc. - e à situação, isto é, ao momento e ao lugar, aos objectivos).

Realização

Durante a conversa com o entrevistado, é necessário assegurar um clima acolhedor e agradável, respeitar o guião de entrevista.

Digitação do texto

Na digitação do texto, é importante prestar atenção à pontuação, ortografia e apresentação gráfica. Se a intenção da entrevista é apresentar para um público leitor, é necessário utilizar uma máquina fotográfica ou gravador e depois realizar o trabalho de transcrição das falas de ambos. Antes da sua publicação deve-se dar ao entrevistado para uma revisão e possível correcção de detalhes. Esse cuidado ético é fundamental quando se utiliza a fala alheia em seu próprio texto.

Funcionamento da língua

Exercícios

1. Tendo em vista o tema focalizado, sobre as TIC e seu impacto na vida quotidiana, em pequenos grupos, leiam as frases e completem com as seguintes conjunções e locuções: para que, embora, que.

  1. Não há dúvida sobre o grande impacto do uso das TIC em Moçambique,______ seja ainda uma gota no oceano.
  2. Nos distritos, recorremos a painéis solares e geradores eléctricos _____ as pessoas tenham acesso às TIC.
  3. Nos distritos, as TIC ajudam tanto _____ os professores já não saem da escola sem informação certa sobre o salário.

2. Leiam as frases, dividam e classifiquem as orações.

3. Construam frases complexas usando as conjunções indicadas em 1.

Ficha informativa

Orações Subordinadas Adverbiais

Oração Subordinada Concessiva - Indica permissão (concessão) entre as orações.

Ex: A Ana elaborou bem as questões para a entrevista, embora sejam poucas.

Oração Subordinada Consecutiva - exprime a consequência referente ao que é dito na oração principal.

Ex: A Ana elaborou as questões tão bem que teve a melhor nota na turma.

Oração Subordinada Final - Exprime finalidade.

Ex: A Ana saiu a correr para que não atrasasse à entrevista.

Produção escrita

O uso adequado das TIC é muito importante na sua vida e no seu desempenho profissional, por isso, é importante que a formação lhe confira competências para o efeito.

Recorrendo à entrevista escrita (ao director, director adjunto-pedagógico, professor das TIC) procure saber o que o IFP tem feito como forma de preparar os formandos no uso das TIC na vida social e profissional.

Para tal, prepare um guião de entrevista (grelha de perguntas) com os seus colegas, seleccionando perguntas que conduzam à entrevista para os objectivos previamente definidos. Grave a entrevista. Depois faça a sua transcrição e seleccione as partes mais significativas para publicação. Organize o texto e publique-o no mural da sua sala.

Ortografia

O domínio das regras da divisão silábica é muito importante para uma correcta translineação no processo da escrita. A divisão silábica de palavras com consoantes duplas (-ss-/-rr-) pode constituir dificuldade para o aluno. Daí que seja muito importante compreender de que forma deve ser feita e é o que vamos fazer a seguir.

1. Identifique 4 palavras, no texto TIC são parte da vida dos Moçambicanos, que tenham consoantes duplas, sendo duas com s e outras duas com r.

2. Faça a divisão silábica de todas as palavras identificadas.

3. Depois da conclusão, diga, qual é a regra que deve ser respeitada na divisão silábica de palavras com consoantes duplas.

Resumo

A Entrevista é um texto jornalístico informativo, mas também pode ser utilizada como uma técnica de pesquisa, uma via de recolha de informações que o formando pode usar durante a sua formação, assim como durante o exercício da sua profissão.

A grelha da entrevista deve ser construída de modo a responder aos objectivos da entrevista.

As tecnologias de informação e comunicação (TIC) são factores que podem influenciar positivamente no desenvolvimento, se a sua utilização estiver baseada em princípios. Por isso, a reflexão na aula deve conduzir o formando à definição, consciencialização e observação de princípios no uso das TIC na sala de aulas, como formando, e na sala de aulas, como professor.

Produção escrita

Reconhecendo a importância da notícia, é preciso olhar para o seu instituto e para a sua sala de aulas, observar e reflectir sobre o seguinte:

Depois de ler a notícia sobre a circuncisão, na página 142, certamente reconhece a necessidade de saber um pouco mais, por isso, há que:

Depois desta pesquisa, construa uma reportagem integrando nela uma entrevista. A reportagem deve consciencializar os leitores sobre a importância da circuncisão para a saúde. Em seguida, partilhe o texto, afixando-o no espaço que criou para notícias ou por via das redes sociais, no âmbito do uso positivo das TIC.

Assista à Videoaula