Módulo 5 | Textos Normativos

Aula 5.3eclaração Universal dos Direitos Humanos

Depois de ler o significado das palavras acima escritas, leia o texto Declaração Universal dos Direitos Humanos

Texto

Declaração Universal dos Direitos Humanos

Declaração Universal dos Direitos Humanos

Preâmbulo

Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e dos seus direitos iguais e inalienáveis constitui o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo;

Considerando que o desconhecimento e o desprezo dos direitos humanos conduziram a actos de barbárie que revoltam a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os seres humanos sejam livres de falar e de crer, libertos do terror e da miséria, foi proclamado como a mais alta inspiração do homem;

Considerando que é essencial a protecção dos direitos humanos através de um regime de direito, para que o humano não seja compelido, em supremo recurso, à revolta contra a tirania e a opressão;

Considerando que é essencial encorajar o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações;

Considerando que, na Carta, os povos das Nações Unidas proclamam, de novo, a sua fé nos direitos fundamentais do homem, na dignidade e no valor da pessoa humana, na igualdade de direitos dos homens e das mulheres e se declaram resolvidos a favorecer o progresso social e a instaurar melhores condições de vida dentro de uma liberdade mais ampla;

Considerando que os Estados membros se comprometeram a promover, em cooperação com a Organização das Nações Unidas, o respeito universal e efectivo dos direitos humanos e das liberdades fundamentais;

Considerando que uma concepção comum destes direitos e liberdades é da mais alta importância para dar plena satisfação a tal compromisso:

A Assembleia Geral

Proclama a presente Declaração Universal dos Direitos do Homem como ideal comum a atingir por todos os povos e todas as nações, a fim de que todos os indivíduos e todos os órgãos da sociedade, tendo-a constantemente no espírito, se esforcem, pelo ensino e pela educação, por desenvolver o respeito desses direitos e liberdades e por promover, por medidas progressivas de ordem nacional e internacional, o seu reconhecimento e a sua aplicação universais e efectivos tanto entre as populações dos próprios Estados membros como entre as dos territórios colocados sob a sua jurisdição.

Artigo 1.º Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.

Artigo 2.º Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação. Além disso, não será feita nenhuma distinção fundada no estatuto político, jurídico ou internacional do país ou do território da naturalidade da pessoa, seja esse país ou território independente, sob tutela, autónomo ou sujeito a alguma limitação de soberania.

Artigo 3.º Todo o indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

Artigo 4.º Ninguém será mantido em escravatura ou em servidão; a escravatura e o trato dos escravos, sob todas as formas, são proibidos.

Artigo 5.º Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes.

Artigo 6.º Todos os indivíduos têm direito ao reconhecimento em todos os lugares da sua personalidade jurídica.

Artigo 7.º Todos são iguais perante a lei e, sem distinção, têm direito a igual protecção da lei. Todos têm direito a protecção igual contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.

Artigo 8.º Toda a pessoa tem direito a recurso efectivo para as jurisdições nacionais competentes contra os actos que violem os direitos fundamentais reconhecidos pela Constituição ou pela lei.

Artigo 9.º Ninguém pode ser arbitrariamente preso, detido ou exilado.

Artigo 10.º Toda a pessoa tem direito, em plena igualdade, a que a sua causa seja equitativa e publicamente julgada por um tribunal independente e imparcial que decida dos seus direitos e obrigações ou das razões de qualquer acusação em matéria penal que contra ela seja deduzida.

Artigo 11.º 1. Toda a pessoa acusada de um acto delituoso presume-se inocente até que a sua culpabilidade fique legalmente provada no decurso de um processo público em que todas as garantias necessárias de defesa lhe sejam asseguradas.

2. Ninguém será condenado por acções ou omissões que, no momento da sua prática, não constituíam acto delituoso à face do direito interno ou internacional. Do mesmo modo, não será infligida pena mais grave do que a que era aplicável no momento em que o acto delituoso foi cometido.

Artigo 12.º Ninguém sofrerá intromissões arbitrárias na sua vida privada, na sua família, no seu domicílio ou na sua correspondência, nem ataques à sua honra e reputação. Contra tais intromissões ou ataques toda a pessoa tem direito a protecção da lei.

Artigo 13.º 1. Toda a pessoa tem o direito de livremente circular e escolher a sua residência no interior de um Estado.

2. Toda a pessoa tem o direito de abandonar o país em que se encontra, incluindo o seu, e o direito de regressar ao seu país.

Artigo 14.º 1. Toda a pessoa sujeita à perseguição tem o direito de procurar e de beneficiar de asilo em outros países.

2. Este direito não pode, porém, ser invocado no caso de processo realmente existente por crime de direito comum ou por actividades contrárias aos fins e aos princípios das Nações Unidas.

Artigo 15.º 1. Todo o indivíduo tem direito a ter uma nacionalidade.

2. Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua nacionalidade nem do direito de mudar de nacionalidade.

Artigo 16.º 1. A partir da idade núbil, o homem e a mulher têm o direito de casar e de constituir família, sem restrição alguma de raça, nacionalidade ou religião. Durante o casamento e na altura da sua dissolução, ambos têm direitos iguais.

2. O casamento não pode ser celebrado sem o livre e pleno consentimento dos futuros esposos.

3. A família é o elemento natural e fundamental da sociedade e tem direito à protecção desta e do Estado.

Artigo 17.º 1. Toda a pessoa, individual ou colectiva, tem direito à propriedade.

2. Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua propriedade.

Artigo 18.º Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos.

Artigo 19.º Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão.

Artigo 20.º 1. Toda a pessoa tem direito à liberdade de reunião e de associação pacíficas.

2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.

Artigo 21.º 1. Toda a pessoa tem o direito de tomar parte na direcção dos negócios públicos do seu país, quer directamente, quer por intermédio de representantes livremente escolhidos.

2. Toda a pessoa tem direito de acesso, em condições de igualdade, às funções públicas do seu país.

3. A vontade do povo é o fundamento da autoridade dos poderes públicos; e deve exprimir-se através de eleições honestas a realizar periodicamente por sufrágio universal e igual, com voto secreto ou segundo processo equivalente que salvaguarde a liberdade de voto.

Artigo 22.º Toda a pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social; e pode legitimamente exigir a satisfação dos direitos económicos, sociais e culturais indispensáveis, graças ao esforço nacional e à cooperação internacional, de harmonia com a organização e os recursos de cada país.

Artigo 23.º 1. Toda a pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha do trabalho, a condições equitativas e satisfatórias de trabalho e à protecção contra o desemprego.

2. Todos têm direito, sem discriminação alguma, a salário igual por trabalho igual.

3. Quem trabalha tem direito a uma remuneração equitativa e satisfatória, que lhe permita e à sua família uma existência conforme com a dignidade humana, e completada, se possível, por todos os outros meios de protecção social.

4. Toda a pessoa tem o direito de fundar com outras pessoas sindicatos e de se filiar em sindicatos para defesa dos seus interesses.

Artigo 24.º Toda a pessoa tem direito ao repouso e aos lazeres e, especialmente, a uma limitação razoável da duração do trabalho e a férias periódicas pagas.

Artigo 25.º 1. Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar, principalmente quanto à alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários, e tem direito à segurança no desemprego, na doença, na invalidez, na viuvez, na velhice ou noutros casos de perda de meios de subsistência por circunstâncias independentes da sua vontade.

2. A maternidade e a infância têm direito a ajuda e a assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimónio, gozam da mesma protecção social.

Artigo 26.º 1. Toda a pessoa tem direito à educação. A educação deve ser gratuita, pelo menos a correspondente ao ensino elementar fundamental. O ensino elementar é obrigatório. O ensino técnico e profissional deve ser generalizado; o acesso aos estudos superiores deve estar aberto a todos em plena igualdade, em função do seu mérito.

2. A educação deve visar à plena expansão da personalidade humana e ao reforço dos direitos do homem e das liberdades fundamentais e deve favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos raciais ou religiosos, bem como o desenvolvimento das actividades das Nações Unidas para a manutenção da paz.

3. Aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o género de educação a dar aos filhos.

Artigo 27.º 1. Toda a pessoa tem o direito de tomar parte livremente na vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar no progresso científico e nos benefícios que deste resultam.

2. Todos têm direito à protecção dos interesses morais e materiais ligados a qualquer produção científica, literária ou artística da sua autoria.

Artigo 28.º Toda a pessoa tem direito a que reine, no plano social e no plano internacional, uma ordem capaz de tornar plenamente efectivos os direitos e as liberdades enunciadas na presente Declaração.

Artigo 29.º 1. O indivíduo tem deveres para com a comunidade, fora da qual não é possível o livre e pleno desenvolvimento da sua personalidade.

2. No exercício deste direito e no gozo destas liberdades, ninguém está sujeito senão às limitações estabelecidas pela lei com vista exclusivamente a promover o reconhecimento e o respeito dos direitos e liberdades dos outros e a fim de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar numa sociedade democrática.

3. Em caso algum estes direitos e liberdades poderão ser exercidos contrariamente aos fins e aos princípios das Nações Unidas.

Artigo 30.º Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada de maneira a envolver para qualquer Estado, agrupamento ou indivíduo o direito de se entregar a alguma actividade ou de praticar algum acto destinado a destruir os direitos e liberdades aqui enunciados.

Extraído do sítio: Centro de Informação das Nações Unidas em Portugal www.onuportugal.pt, pág. 2 a 5

Oralidade

Num grupo de 6 elementos, discuta sobre a seguinte questão: O que motivou a elaboração da Declaração Universal dos Direitos Humanos?

No final, coloquem num quadro a síntese das ideias discutidas.

Compreensão do texto

Depois da discussão sobre os motivos da elaboração da Declaração Universal dos Direitos Humanos responda, por escrito, às seguintes questões:

  1. Mencione o assunto e as razões que motivaram a elaboração deste documento.
  2. Por palavras suas explique os artigos 3º, 11º e 20º.
  3. Durante a leitura do texto deve ter visto três tipos de direitos. Preencha o quadro com os artigos que indicam cada um deles:

Direitos pessoais

Direitos judiciários

Direitos sociais

Ficha Informativa

O infinitivo impessoal é um processo verbal com forma vaga, sem explicitação de tempo e nem de modo e termina com -r.

Ex:

  1. É proibido privar alguém de mudar de nacionalidade.
  2. Querer é poder, já me informei sobre os meus direitos e deveres.
  3. Cidadão, cumprir as cláusulas da Declaração dos Direitos Humanos!
  4. Todos os homens estão a agir bem uns para com os outros em espírito de fraternidade e a invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração.

Particípio é um processo verbal com forma vaga, sem explicitação de tempo nem de modo e termina com - ado e – ido.

Ex:

  1. Ela tem pensado acerca dos seus direitos como cidadã nacional.
  2. Estou apressada, quero ler a declaração dos direitos humanos.
  3. Temos cumprido com rigor os nossos deveres.
  4. A Zulmira tinha confundido o meu texto com o dela.

Exercícios

Infinitivo impessoal, Particípio Passado, Gerúndio

Como se pode ver, no texto em estudo predominam verbos no infinitivo impessoal, particípio passado e gerúndio

  1. Nas frases abaixo sublinhe os verbos que estão no infinitivo impessoal.
    1. A declaração foi elaborada de maneira a envolver todos os povos.
    2. No meio desses direitos e deveres é preciso preservar os hábitos e costumes dos povos.
    3. Ninguém deve destruir os objectivos da declaração dos direitos humanos.
    4. Toda a pessoa tem o direito de tomar parte das decisões dos assuntos da sua comunidade.
  2. Complete as frases com os verbos entre parênteses.
    1. É sempre bom ___________________ (conhecer) os seus direitos.
    2. Ela estava a _____________________ (ler) apenas.
    3. Devemos ____________________ (cuidar) bem desses documentos
  1. Complete as frases com as formas dos verbos indicados.
    1. Que tal,__________ que eu pedi? (fazer)
    2. Tinha o texto quando ele chegou. (ler)
    3. Tenho todos os teus problemas, mas agora resolve-os tu. (resolver)
    4. , pediu desculpas. (tremer)
    5. A , pediu desculpas. (tremer)
    6. Nas ruas, as jovens desfilam _____ por socorro, mas o Governo não ouve. (gritar)
    7. Nunca tinha alunos tão criativos como estes. (ver).
  2. Transforme as seguintes frases e faça as alterações necessárias, como no exemplo.

O Sr. Mário transgrediu um dos direitos humanos e foi parar às barras do tribunal.

Tendo transgredido um dos direitos humanos, o sr. Mário foi parar às barras do tribunal.

  1. A juíza julgou o Mário e condenou-o a uma semana de trabalhos na sua comunidade.
  2. Se é trabalhador, pode fundar um sindicato.
  3. O Mário cumpriu a pena e jurou nunca mais o fazer.
  4. Se divulgarmos os direitos humanos, garantimos a liberdade dos cidadãos.
  5. Devemos providenciar educação porque é um direito básico.

Ortografia

Uso da vírgula com a conjunção e

  1. Coloque a vírgula ou conjunção e nas frases abaixo, para lhes dar sentido.
    1. A partir da idade núbil, o homem e a mulher têm o direito de casar de constituir família de ter casa e emprego digno.
    2. Todo o indivíduo tem direito à nacionalidade ao emprego a ser respeitado à justiça.
  2. Elabore três frases em que a vírgula separe a enumeração de termos.

Resumo

O infinitivo, o particípio passado e o gerúndio são formas verbais sem marcas do tempo e nem do modo.

Ex:

  1. A juíza vai julgar segundo o código penal.
  2. Tendo anunciado a sentença, termina o julgamento.
  3. Lida a declaração, todos ficaram felizes com as cláusulas.

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