Módulo 3 | Desenvolvimento Humano e a Aprendizagem

Aula 3.6Teorias de Aprendizagem Humana

Reflexão Inicial 12

No seu dia- a- dia, desde a sua infância até aos dias de hoje, terá aprendido junto de amigos, familiares, professores, etc., algo que lhe marcou de diferentes formas. Preencha o seguinte quadro e, depois, partilhe-o com o seu colega:

O que aprendeu? Com quem aprendeu? Em que situações/ circunstâncias teve essa aprendizagem?

3.6.1 Características, tipos e formas de aprendizagem

Depois de partilhar a sua experiência com os seus colegas, supomos que tenha percebido que o ser humano aprende em várias situações e de diversas formas no seu dia–a –dia. Para isso, basta lembrar, por exemplo, que você aprendeu a falar, a lavar os dentes, a caminhar, a manejar e a conservar os brinquedos; a lavar as mãos antes e depois das refeições, etc. São várias as aprendizagens que cada um tem oportunidade de ter ao longo da vida. E estas aprendizagens, de certeza, ocorrem graças à intervenção do esforço individual, mas também como efeito do ambiente em que se cresce e, especialmente, de outros indivíduos com que se partilham experiências da vida. Cada um destes indivíduos contribui na aprendizagem de outros indivíduos em diferentes situações e/ou circunstâncias.

Eis porque as teorias de aprendizagem tentam explicar como o ser humano adquire, retém e recorda conhecimentos. Estas teorias ajudam o educador a seleccionar estratégias, métodos, técnicas e materiais adequados para promover a aprendizagem do educando. O aluno aprende mais com professores que gostam de aprender, de ler e de escrever!

Enquanto cada perspectiva teórica ajuda na planificação do processo de ensino- aprendizagem, é preciso considerar o contexto em que o processo decorre, os objectivos de aprendizagem, e os próprios alunos. Como o contexto de aprendizagem é dinâmico, deve-se combinar várias teorias de aprendizagem, para garantir um processo de aprendizagem integral.

No geral, a aprendizagem apresenta cinco (5) características, cuja descrição consta na tabela seguinte:

Quadro 8: Características da aprendizagem

Caracteristicas de aprendizagem

Descrição da caracteristica

Carácter dinâmico

A aprendizagem não é um processo de absorção passiva, pois a sua característica mais importante é a actividade daquele que aprende. Portanto, a aprendizagem só se faz através da actividade do aluno.

É evidente que não se trata apenas de actividade externa, física, mas, também, de actividade interna, mental e emocional, porque ela é um processo que envolve a participação total e global do indivíduo, nos seus aspectos físicos, intelectuais, emocionais e sociais.

Carácter contínuo

Desde o início da vida, a aprendizagem acha-se presente. Ao sugar o seio materno, a criança enfrenta o primeiro problema de aprendizagem: terá que coordenar movimentos de sucção, deglutição e respiração, as horas de sono, as de alimentação.

Na idade escolar, na adolescência, na idade adulta e, até, na idade mais avançada, a aprendizagem está sempre presente.

Carácter global ou compósit

Qualquer comportamento humano é global ou «compósito, pois inclui sempre aspectos motores, emocionais e ideativos ou mentais.

A mudança de comportamento exige a participação total e global do indivíduo, para que todos os aspectos constitutivos da sua personalidade entrem em actividade no acto de aprender, afim de que seja restabelecido o equilíbrio vital, rompido pelo aparecimento de uma situação problemática.

Carácter gradativo

A aprendizagem é um processo que se realiza através de operações crescentemente complexas, porque, cada nova situação envolve maior número de elementos.

Cada nova aprendizagem acresce novos elementos à experiência anterior.

Carácter acumulativo

Com um sentido de progressiva adaptação e ajustamento social - analisando-se o acto de aprender, verifica-se que, além da maturação, a aprendizagem resulta da actividade anterior, ou seja, da experiência individual - ninguém aprende senão por si e em si mesmo, pela auto-modificação.

Desta maneira, a aprendizagem constitui um processo cumulativo, em que a experiência actual aproveita-se das experiências anteriores.

Quanto aos tipos de aprendizagem, reconhece-se que ela se subdivide em três tipos fundamentais.

Quadro 9: Tipos de aprendizagem

Tipo de aprendizagem

Descrição

Aprendizagem cognitiva

A aprendizagem não é um processo de absorção passiva. É o processo pelo qual o indivíduo, em interacção com o meio, adquire novas informações e conhecimentos da vida.

Tem a ver com conhecimentos, factos, teorias e princípios.

Aprendizagem psicomotora

Consiste na aprendizagem do saber fazer, através de desenvolvimento de habilidades motoras; a criança aprende a fazer a partir do treinamento do hábito.

Aprendizagem afectiva

Consiste na aprendizagem do saber ser, através das boas maneiras, comportamento, atitudes e valores.

Desenvolve a capacidade de se envolver sentimentalmente com os fenómenos culturais e ambientais, isto é, desenvolvimento dos sentimentos, emoções, etc.

Uma aprendizagem efectiva pressupõe o desenvolvimento dos três tipos de aprendizagem, isto é, não basta o indivíduo desenvolver o tipo de aprendizagem cognitiva sem que a concilie com os restantes tipos. Ex.: Para a prevenção do HIV/ SIDA não é suficiente que se tenha informações sobre como se proteger, mas é igualmente fundamental desenvolver atitudes positivas em relação às formas e aos procedimentos do uso do preservativo.

Finalmente, quando nos referimos às formas de aprendizagem, nota-se que existem dois grupos principais de formas de aprendizagem (mecânica e significativa), sendo que cada uma destas tem as suas variantes.

Quadro 10: Formas de aprendizagem

Formas de aprendizagem

Caracterização e variantes

A aprendizagem por recepção

É um processo pelo qual o conhecimento é adquirido de forma passiva. O professor é o centro da aprendizagem. Na aprendizagem por recepção (ou aprendizagem receptiva), a nova informação é armazenada de forma arbitrária pelo aluno. A aprendizagem por recepcão não é totalmente inútil na aprendizagem humana, pois é sempre necessária para a fixação inicial dos conteúdos, tais como, conceitos, fórmulas, símbolos e signos, de modo a permitir a integração de outros conteúdos.

Variante 1: Aprendizagem por recepção mecânica ou memorizada

É aquela em que o professor apresenta a matéria, de tal forma que o aluno apenas a tem de memorizar. O aluno tende a reproduzir fielmente as explicações do professor, sem usar as suas experiências e criatividade. Embora seja passiva, a aprendizagem por recepção é importante para a interiorização dos conteúdos, tais como, fórmulas, sinais, leis, um poema, um teorema geométrico.

Variante 2: Aprendizagem por recepção significativa ou compreendida

É aquela em que o professor organiza a matéria a ensinar de forma lógica e, ao apresentá-la ao aluno, este relaciona-a com os conhecimentos que este já possui, de tal modo que ele possa perceber o que está a aprender.

Aprendizagem por descoberta

Variante 1: Aprendizagem por descoberta mecânica ou memorizada

Nesta forma de aprendizagem, apesar de chegar por si próprio à descoberta da solução de um problema, o aluno depois apenas memoriza de um modo mecânico, sem a integrar na estrutura cognitiva que já possui.

Estando a criança envolvida no processo de descoberta da sua própria aprendizagem, o professor tem a tarefa de motivar, facilitar e mediar tal processo, considerando o contexto social e cultural no qual a aprendizagem ocorre.

Variante 2: Aprendizagem por descoberta significativa ou compreendida

Nesta forma de aprendizagem, o aluno “descobre” o conhecimento por si próprio, chega à solução de um problema que se lhe põe ou a qualquer outro resultado e relaciona o conhecimento que acaba de adquirir com as expriências que já possui.

Na orientação do processo de construção do conhecimento pela criança, todas as formas de aprendizagem anteriormente discutidas são válidas. Isto deve-se ao facto de cada criança ter maneiras, momentos e ritmos próprios de aprender. Cada uma capta, processa, interpreta, percebe e reage à sua maneira às informações que recebe do meio sócio - cultural.

Na sala de aulas, cabe ao professor saber humanizar a aprendizagem da criança, atendendo de maneira personalizada às suas motivações, interesses e necessidades de crescimento e a auto-realização, dentro do seu contexto de vida.

A distinção entre a aprendizagem significativa e mecânica não pode ser vista como sendo de oposição, mas sim a de complementaridade. Mais ainda, cada professor deve querer que, mesmo partindo de uma aprendizagem receptiva/mecânica, os alunos possam atingir a aprendizagem significativa.

Essa distinção estabelece, ou não, por parte do aluno, relações substanciais entre os conceitos que estão presentes na sua estrutura cognitiva e o novo conteúdo que é preciso aprender. Quanto mais se relacciona o novo conteúdo de maneira substancial e não arbitrária com algum aspecto da estrutura cognitiva prévia, que lhe for relevante, mais próximo se está da aprendizagem significativa. Quanto menos se estabelece esse tipo de relação, mais próximo se está da aprendizagem mecânica ou repetitiva.

Resumo do Tema

O conhecimento pelo professor das características, tipos e formas de aprendizagem constitui uma ferramenta fundamental, para compreender como ocorre a aprendizagem, bem como a forma da aplicação de um conjunto de procedimentos que permitam levar o aluno a desenvolver a sua aprendizagem. A aprendizagem por descoberta é a forma de aprendizagem mais desejável e cabe ao professor saber combinar, em situações específicas de aprendizagem, as outras formas de aprendizagem para o aluno aprender. Actualmente, defende-se a perspectiva de que o aluno não só deve aprender, mas também deve aprender a aprender, isto é, desenvolver mecanismos para auto-estudo, prestando-se sempre atenção para que na aprendizagem se integrem os diferentes tipos de aprendizagem (cognitiva, psicomotora e afectiva), pois somente dessa forma se atinge a integralidade da personalidade do aluno.

Reflexão Final 12

  1. Como professor, apostaria para os seus alunos uma aprendizagem mais mecânica ou significativa? Porquê?
  2. Discuta a sua reflexão em 1) com outros colegas da turma usando a técnica “tomar uma posição”.

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